Relatório Semanal | S&P 500 e Recessão

Mais um relatório semanal sendo construído com base nos dados recolhidos diariamente. Dados que nos informam onde estamos no ciclo de mercado – micro e macro – em várias perspectivas e também para a direção futura da economia em larga escala, principalmente por questões energéticas ocasionadas pela terrível e triste guerra entre Rússia e Ukraine. A inflação está galopando a níveis inimagináveis: como eu vinha relatando há meses atrás.

RELAÇÃO S&P 500 vs MÉDIA DE 200-Dias

A imagem acima retrata que já estamos em uma correção da média de 200 dias mais profunda do que imaginávamos, porém, ainda podendo alcançar níveis muito mais baixos – comparando a 2020 e 2018. Nas imagens a seguir, abordo que isso é muito provável de ocorrer devido a alta inflação, baixos juros americanos e elevada crise energética. Estamos entrando em um processo de recessão econômica mundial.

RELAÇÃO ENTRE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR E S&P 500

Desde 1999 este dado vem sendo coletado e divulgado. Impressionante como o índice da confiança do consumidor está em processo decrescente desde 2020, pós c0vid, e mesmo assim os mercados continuam em alta injustificável. Logo, demonstra-nos que as empresas listadas relatarão menor margem lucrativa ao longo de 2022/23. Este processo é longo, mas infalível.

Nota-se claramente que, historicamente, os mercados financeiros sempre corrigiram seus altos índices para se adequar ao nível de consumo vigente.

Estima-se que o S&P 500 poderá chegar a 3900 pontos, neste caso de recessão da economia (Bear Case), como observado abaixo. Caso a alta persista por questões emocionais e comportamentais dos indivíduos atuantes nos mercados, um transitório Bull Case poderá alcançar os 5000 pontos.

David Hunter, um experiente investidor com mais de 40 anos no mercado, eleva o Bull Case para 6000 pontos antes de um derretimento completo do S&P 500.

RETORNOS APÓS CORREÇÕES

Dados coletados desde 1982 demonstram que o mesmo S&P 500, após quedas maiores que 10%, obtiveram grandes retornos nos 2 (dois) anos seguintes. O caso mais expressivo e doloroso para os investidores foi caracterizado justamente quando a Bolha.com entrou em colapso, em 1999/00.

ALTERNÂNCIA ENTRE ‘CRESCIMENTO’ E ‘VALOR’

Observe como sempre há um padrão alternado dos fluxos dos investidores entre empresas de ‘Crescimento’ vs ‘Valor’. Desde 1995 este mesmo padrão é notado. O que me impressiona ainda mais, mesmo com tantos dados, o comportamento padrão continua vigente. Em tempos supervalorizam um setor, tornado-os muito caros, e desvalorizam absurdamente o outro, tornando-s muito baratos.

O comportamento geral, agora massificado pelas mídias sociais, auxilia ainda na força destes pêndulos. Provavelmente, se você se mantiver em caminho contrário deste fluxo, obterá enormes rendimentos ao longo dos anos pois sempre comprará muito barato e venderá muito caro. Ou seja, sempre estará do outro lado do “balcão”!

RELAÇÃO S&P 500 x FED x EVENTOS GEOPOLÍTICOS

A cada crise, geopolítica ou não, o mercado reage sempre da mesma maneira: desespero e alívio. Acima nota-se os itens em Vermelho descrevendo crises mais emblemáticas desde 1985 e seus efeitos nos mercados financeiros americano. Dentre as emoções coletivas em crises, o que mais me preocupa de fato para me posicionar no momento mais adequado, é exatamente a relação entre as taxas de juros (Linha Verde) e o S&P 500.

Os juros estão negativos, S&P está em suas máximas – mesmo após a correção atual – e isso não é nada bom para o futuro, pois todas as vezes que o Federal Reserve especulou aumentar suas taxas, o mercado reagiu de forma abrupta. Com as questões inflacionárias atuais, qualquer perspectiva de aumento de juros implodiria o mercado de forma dolorosa. As últimas vezes que os juros aumentaram, os mercados responderam duramente a isso: 2000 e 2009.

Observe como o S&P 500 (Azul) está respondendo, e absorvendo, aos estímulos monetários do Federal Reserve (Preto). Se, por algum momento, o FED resolver estancar sua enorme impressora, definitivamente eu não quero estar neste mercado.

RELAÇÃO HISTÓRICA ENTRE S&P 500 vs RETORNOS NO MÊS DE MARÇO

Algo simplesmente curioso! Seria por simples relações comportamentais? Já que este dado sempre é divulgado, pode interferir diretamente no instinto psicológico e emocional dos indivíduos. Se ano após ano, sempre é informado que os meses de Março são os piores em termo de rendimentos, quem gostaria de amargar um “prejuízo”? Certamente a maioria dos indivíduos não atuam de maneira lógica e consciente, portanto, são levados por milhares de informações fúteis e absurdas de caráter apenas informativo.

O mercado reage ao efeito da manada.

RELAÇÃO DO PREÇO DO ÓLEO vs RECESSÕES

Agora sim vamos a um dado realmente interessante: desde 1970 há um relação direta entre o preço do Óleo Brent, bruto, e as grandes recessões econômicas. É nítido que em todas as vezes que o preço do Óleo aintigiu, ou ultrapassou, o valor de $80 dólares, estávamos encaminhando para uma profunda recessão. Neste exato momento, em 03 de março, o valor do Brent está em ~ $119 dólares. Faça suas conclusões!

A guerra entre Rússia e Ukrania ajudou a piorar o contexto macroeconômico energético que começou em 2020 com o c0vid. As políticas de energias limpas banalizaram e subestimaram a necessidade mundial do Petróleo, Gás e Carvão, criando um monstro energético inflacionário em todo o mundo, principalmente europeu, que depende quase exclusivamente da Rússia em termos energéticos.

Estamos apenas no início.

Conforma a imagem acima, o principal Banco da Alemanha já estima o preço do óleo brent em ~$140 dólares.

RELAÇÃO Tesouro U.S vs BIG TECH’s

Conforme demonstrado acima, as ações das Big Techs (Azul Escuro) ainda sofrerão uma forte correção para acompanhar os TIPS de 10 anos (Azul Claro). Desde janeiro de 2020 é constadado uma forte correlação entre os dois indicadores.

RISCO E RECESSÃO

Certamente uma forte recessão está batendo em nossa porta! Já observamos em vários contextos anteriores que o mercado já precificando esta recessão desde Dezembro de 2021 e de forma contundente em Fevereiro de 2022. O Índice Russell já começou indicar desde Março de 2021: já comprovado em relatórios do ano passado.

E para terminar, o interesse no S&P 500 vem se deteriorando a cada mês subsequente. Agora em 2022 o índice atingiu 1,5%: o mesmo índique que a Bolha.com estourou. Os próximos anos não serão fáceis.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s