Relatório Semanal | Expectativa vs Realidade

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Iniciarei este artigo com os últimos dados semanais e o momento que os mercados se encontram. Conforme observado, tentarei ser o mais didático possível em minhas apresentações e justificativas – visando o público iniciante nesta plataforma – do que vem ocorrendo nos últimos meses e também da expectativa futura – de acordo com as possíveis variáveis que possam surgir.

MOMENTO E EXPECTATIVA DOS MERCADOS

Segundo o Goldman Sachs Global Investments Research (gráfico acima), o índice S&P500 poderá chegar a 4700 pontos até o final deste ano (2021) e alcançar o fim do próximo ano (2022) com uma estimativa de 4900 pontos: prevêm um acréscimo de 25% este ano e apenas 4% em 2022.

O índice Standard and Poor’s 500 – S&P500 – é um índice de capitalização ponderada de 500 ações. O índice foi concebido para medir o desempenho amplo da economia doméstica americana por meio das mudanças no valor agregado das 500 ações que representam as maiores indústrias.

De uma forma mais objetiva – clara – na estimativa do Goldman Sachs: os investidores devem manter a expectativa de maiores lucros das principais indústrias dos Estados Unidos, porém, este lucro será bem reduzido em comparação com este ano. Tal situação poderá reprecificar os valores dos ativos (ações), de acordo com estes lucros reportados. Na prática, empresas que estão com suas ações muito esticadas (supervalorizadas) poderão sofrer contração em seus valores, pois há uma expectativa que o futuro da economia – de modo geral – seja um pouco turbulenta. Vemos isso nitidamente no nosso dia a dia, principalmente pela inflação e aumento de preços de forma constante e generalizada.

Consequentemente: a capacidade de consumo reduz, podendo diminuir as margens lucrativas das empresas e também de grande parte da cadeia produtiva: forçando todo o sistema econômico a tomar algumas medidas mais restritivas em suas operações.

PERSPECTIVAS DE ‘VALOR JUSTO’

Antes de entrar no gráfico acima, vamos determinar um parâmetro racional sobre a palavra ‘Fair Value’ (Valor Justo) para os iniciantes nesta leitura.
Tudo! Absolutamente TUDO tem um Valor. Insisto fortemente neste conceito desde quando escrevi o primeiro livro: Dinheiro e Mercado – Puramente Comportamental. Somos bombardeados de um ‘algo’: coisas, produtos, conceitos, práticas, desejos e vontades. Nós, como indivíduos, determinamos o que tem, ou não, Valor para nós. Contudo, temos a plena capacidade de interpretar e precificar o quanto estamos dipostos a pagar por este ‘algo’ que nos traz algum benefício.

Se valorizamos o produto X em $100, logo, não pagaremos muito além de $100 para obter o produto. Não nos importa o quanto o outro indivíduo pagará por X, pois ele adequará o valor de acordo com próprias perspectivas. Da mesma maneira podemos também precificar um desejo, uma vontade, um sonho. Por mais que não precifiquemos em valor monetário (dinheiro), daremos um outro tipo de ‘Valor’, como por exemplo: o tempo gasto, o trabalho, a disponibilidade, o momento e entre outros.

Assim também funciona nos mercados financeiros, porém, de maneira mais complexa e antecipada: quase tudo é precificado com a máxima antecipação possível para, ou gerar mais lucros, ou evitar maiores prejuízos.

Agora voltando ao gráfico acima, interpreto a expectativa da variação dos mercados de acordo com as possíveis causas estão surgindo no momento atual para me “APOIAR em um VALOR JUSTO”, vejamos:

  1. O índice S&P500 está atualmente em 4358 pontos com a perspectiva de chegar ao final do ano em 4700 pontos. Essa é Linha Base – coluna azul escura.
  2. Caso tenhamos um cenário de expectativas de Baixas Taxas de Juros, o S&P500 poderá chegar aos 4950 pontos. S&P500 se valorizando em 14%.
  3. Se as expectativas sobre as Taxas de Juros começarem evoluir, o mercado irá precificar o índice em 4350 pontos, ao fim de 2021. S&P500 mantendo-se teoricamente estável.
  4. Caso não haja nenhum cenário de reforma tributária pela frente, novamente o S&P500 tende a chegar aos 4900 pontos.

Nota Importante: Lembrando sempre que estes números indicam apenas em relação as Taxas de Juros do ‘Tesouro 10-anos‘, ou seja, é simplesmente UMA variável entre muitas outras que movem os mercados financeiros. São expectativas e especulações, internas e externais – nacionais e globais – que determinam a precificação de todos os mercados instantaneamente.

Não devemos nos apegar em tentar adivinhar ou tentar precificar o futuro, mas conseguiremos ter uma pequena ideia do que ocorrerá com os nossos investimentos e com os mercados financeiros, caso algumas variáveis entrem definitivamente em atuação.

Já conseguimos até aqui interpretar e racionalizar de uma forma bem “simples e compreensível” quais as expectativas futuras do mercado americano, caso tenhamos algumas alterações nos seguintes tópicos:

  • Em relação ao risco inflacionário; perda do poder aquisitivo generalizado; expectativa de lucratividade menor das empresas e contração das margens lucrativas;
  • Em relação ao aumento, ou não, das Taxas de Juros de 10-anos dos Estados Unidos;

OUTRA EXPECTATIVA FUTURA: ACORDO COM O PASSADO E COM A CONDIÇÃO ATUAL

Entramos no terceiro gráfico para tentar avaliar em que momento comportamental os investidores estão neste exato momento, baseado em situações parecidas vivenciadas no passado.

Observamos claramente: em todas as principais grandes quedas prolongadas nos mercados (dezembro dos anos de 1974, 2000 e 2008) o índice Drawdowns (rebaixamento) atingiu acima de -40% e foi antecedido por períodos intercalados acima de -20% e -30%.

Desde o crash de 2008 (Subprime), nota-se uma crescente do índice Drawdowns em 2015 (-15%), em 2018 (-20%) e, por fim, em 2020 (-33%).

Notavelmente, estamos passando por ciclos já vivenciados que antecederam grandes correções dos mercados: por incontáveis fatores (que não vem ao caso nesta análise).

RELAÇÃO DO ÍNDICE S&P500 vs tonelagem de caminhão (LOGÍSTICA)

Índice S&P500: LINHA ROXA
Transporte Logístico: LINHA LARANJA

Até este momento, mesmo um leitor leigo – iniciante – já conseguiu interpretar as distorções que marcam o momento do mercado financeiro atual. A princípio, relacionar o índice S&P500 com um gráfico sobre a capacidade logística de carga dos caminhões não parece ser algo sensato. Porém, ao relacionarmos os dois gráficos, notamos claramente que antes do crash de 2008, houve uma desaceleração absoluta no transporte logístico rodoviário, caracterizando previamente uma desaceleração do consumo e, consequentemente, nas estimativas de lucros das empresas.

Até antes da pandemia, início de 2020, os índices caminhavam lado a lado. Será que tudo realmente mudou?

Talvez este gráfico não nos diga muita coisa, mas pode nos inferir um dado importante: em qualquer perspectiva analisada (também nos relatórios anteriores), os índices dos mercados financeiros estão extremamente fora da realidade. Empresas supervalorizadas provavelmente não entregarão aos acionistas os lucros exorbitantes que estes imaginam, portanto, há uma possibilidade – de acordo com o histórico apresentado – que o Índice S&P500 (Roxo) tenha uma contração com tendência a acompanhar o Índice Logístico (Laranja) em algum momento.

ANÁLISE DE ACORDO COM A CONTRAÇÃO DO CRÉDITO GOVERNAMENTAL

No último gráfico interessante, nos mostra outra variável. Nota-se como a alavancagem causada pelo governo americano bombeia o fluxo monetário para os mercados financeiros. O S&P500 denuncia isso de maneira bem objetiva: Quando há um encerramento do fluxo monetário pela autoridade governamental, os mercados tendem a ter um alto nível de correção – quedas abruptas(Azul Claro).

INTERPRETAÇÃO FINAL DOS DADOS APRESENTADOS

  • Em relação ao risco inflacionário; perda do poder aquisitivo generalizado; expectativa de lucratividade menor das empresas e contração das margens lucrativas;
  • Em relação ao aumento, ou não, das Taxas de Juros de 10-anos dos Estados Unidos;
  • Índice Drawdowns nos mostra o histórico recessivo desde 1947, informando-nos uma possível interrupção do macrociclo de alta;
  • Índice S&P500 descola significativamente do Índice ‘Caminhões Carregados’. Mais um dado a ser interpretado com atenção;
  • Há afrouxos monetários do governo americano desde 2008. Nas duas ocasiões que o governo interrompeu este fluxo, mesmo por alguns dias, os mercados sofreram demasiadamente.

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