No Fim, Somos Apenas Especuladores da Vida

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“Escolas não ensinam aquilo de que você mais precisa: especulação. Como correr riscos e ganhar.”

Franz Heinrich

Não se preocupe tanto com o amanhã, afinal, seu futuro não passa de uma especulação. Começo essa reflexão de uma maneira até sensível demais, talvez toque no seu interior, no seu íntimo e o faça repensar em sua própria vida. Indivíduos crescem rodeados de expectativas e ordens específicas que devem seguir para se tornar “alguém” – como sugere a sociedade -. Não me refiro ao caráter, regras, leis ou personalidade individual, mas sim, em seguir determinadas ordens cronológicas pré-determinadas sobre questões financeiras.

A princípio, a palavra ‘especulador’ nos toca de uma maneira pejorativa, negativa ao extremo, um sentido inicial de que um sujeito especulador não passa de um idiota qualquer que não estudou [pesquisou] profundamente sobre como agir em determinado assunto. Um sujeito energicamente irracional que age por impulso sem analisar as consequências vindouras. Grosseiramente, todo humano especulador pode ser visto como um fracasso que não tem convicção de suas escolhas.

Neste exato momento retruco essa ignorância de pensamento.

Todo humano é naturalmente e obrigatoriamente um especulador.

Somos constantemente especuladores em nossas vidas. Não somos racionais em momento algum se considerarmos inúmeras questões, seja emocional, sentimental ou financeiro. Todo indivíduo conduz sua vida de maneira ordenada segundo a sua origem psicológica, mas no fundo, todos somos rodeados de eventos cíclicos ou variáveis e incontroláveis que nos colocam no meio de um caos que não prevíamos, ou até incontroláveis.

Um indivíduo qualquer planeja seu casamento com a convicção da certeza como um investimento correto e eterno [até o fim da vida] e não percebe que está fazendo o oposto da certeza. Este sujeito está simplesmente especulando sobre o seu futuro conjugal e esquecendo que, para tais eventos ocorrer da maneira menos turbulenta possível, infinitos fatores externos e internos irão interferir em sua caminhada. Modificando o exemplo, um jovem traça seu destino estudantil baseado em milhares de informações adequadas naquele instante precificando o quanto estável estará no futuro, mesmo que os anos seguintes sejam incertos. Este jovem é tão especulativo quanto ao seu futuro profissional quanto ao indivíduo que especula o próprio matrimônio.

Não existe racionalidade e “investimento” correto justificável para um sujeito que adquire um carro considerado, por unanimidade da sociedade, extremamente qualificado em relação ao baixo custo de manutenção. Ou na escolha de um imóvel muito bem localizado com alto índice de valorização comparado aos demais. No fim, todos estão especulando sobre algo e não investindo de fato. O carro qualificado pode simplesmente quebrar. O imóvel pode obter rachaduras devido a algum acontecimento inesperado ou ser construído com material de segunda linha. São apenas duas situações, entre milhares, que causam prejuízos ao, até então, “investidor racional”.

Max Gunther, autor do livro Os Axiomas de Zurique, descreve com esmero sobre como todos os humanos são especuladores natos, tanto nos mercados financeiros como em decorrência de suas vidas. Enfatizando, principalmente, como a palavra “investidor” transforma todo o contexto situado em lindos campos verdes, serenos, com relvas sedosas do amanhecer ao anoitecer. Gunther relembra, incansavelmente, que somos puramente especuladores dos nossos futuros. O fato de um indivíduo ser mais próspero que o outro, significa que um deles obteve mais especulações positivas e lucrativas do que o outro ao longo de suas vidas. Determina-se na análise que ambos tenham crescido, ou em condições ambientais e sociais igualitários ou próximas.

Por fim, todos nós operamos diariamente com suposições mentais e racionais de que estamos sendo prudentes, conscientes em nossas escolhas e buscando zerar os prejuízos internos. Agimos com enorme convicção da verdade absoluta, sobretudo, pela imposição da sociedade, que acabamos nos limitando aos riscos positivos que nos são apresentados. Consequências de tais atos podem ser refletidos em uma eterna permanência na uniformidade, inalterada pela monotonia. Um marasmo pessoal digno de pena.

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