Socialismo Utópico X Economia Produtiva

AS TULIPAS EXÓTICAS E O SOCIALISMO

Frequentemente me pego refletindo profundamente sobre o comportamento magnífico do ser humano. Muitas vezes surge suposições utópicas, as quais busco encontrar respostas racionais para tais atos e continuo falhando miseravelmente ao tentar justificar a ignorância irracional que permeia a sociedade desde os antigos egípcios.

Sempre sou enfático em cristalizar a origem da riqueza em valores intrínsecos, tanto que fiz uma abordagem sobre o lastreamento de valor baseado nos metais preciosos. Mas afinal:

O que é a riqueza? O que tem valor, de fato?

Historicamente, a primeira bolha financeira considerável ocorreu em Amsterdã, na Holanda, denominada como o mercado das Tulipas. Inacreditavelmente, as tulipas (plantas) eram extremamente valiosas por causa de sua raridade local e beleza exótica. Finalmente, a grosso modo, um senhor chamado Haarlem por algum motivo pessoal aleatório ou comportamental não honrou seus contratos e simplesmente ignorou o quanto o mercado (indivíduos) valorizavam aquela planta. Não preciso detalhar perfeitamente o que ocorreu. Basta o leitor compreender que os preços despencaram, muita gente levou um belo prejuízo e alguns à pobreza extrema.

Só há valor em algo quando o próprio humano enxerga a necessidade daquilo. A volatilidade e o lastro do valor são precificados pelo momento vivido pelo indivíduo.

Da mesma forma que houve a crise das tulipas, há tantas outras pirâmides financeiras e bolhas especulativas com o único propósito: enriquecimento rápido. Qual o fundamento que sustenta a base de valor sem um produto útil agregado? Riqueza por si não é sustentável se não houver uma produção do lado oposto. Cito como um simples exemplo [talvez considerado inútil aos seus olhos] uma horta qualquer para o sustento de uma casa [família]. Só há uma produção de temperos e verduras caso haja um sujeito produzindo na outra ponta. A produção nesta situação pode ser desde a aplicação de adubos, fertilizantes químicos e irrigação periódica até o final da colheita. Caso haja um aumento populacional na família ao longo dos anos, invariavelmente terá que ocorrer um aumento de produção e também acréscimo dos produtores [pelo envelhecimento e debilitamento natural do indivíduo] em algum momento. Agora considere este exemplo a nível de uma sociedade globalizada e complexa e reflita suas causas e consequências.

Da mesma forma que prega-se uma sociedade igualitária plena, nivelando por baixo todo o indivíduo, seja produtivo ou improdutivo, inevitavelmente ocorrerá o desestímulo mútuo dos mesmos. Afinal, a psicologia humana funciona baseada e lastreada em valores pessoais e intransferíveis, em desenvolvimento e crescimento próprio, independente da área de atuação. Quando há uma disruptura entre os valores singulares dos personagens com uma tentativa de igualá-los a nível de produtividade e sustentabilidade única, gera-se perda cognitiva existencial do humano. Os próprios sujeitos não irão valorizar por seus atos, conhecimentos, méritos, esforços e suas produções materiais e intelectuais. Não haverá métrica para a autovalorização, portanto, não haverá estímulos internos e externos que movimente o indivíduo e sua sociedade.

Considera-se o pensamento acima aplicando na família citada e sua horta. O sujeito que produz e cultiva seu horto tem a plena consciência da importância de que àquilo é necessário para o sustento de seu lar. Logo, há uma autovalorização pessoal e também há valor social perante seus familiares, tornando sua produção e sobrevivência intransferível para terceiros [estado] e gerando estímulos diversos e constantes para o crescimento pessoal e de sua família. O encorajamento individual será herdado pelos sucessores, gerando valor em suas existências.

Caso a consciência dos humanos sejam direcionadas incisivamente para a terceirização de suas responsabilidades, sobrevivência e competências, será herdada uma sociedade zumbi, na qual os sujeitos serão inertes, apáticos e sem impulsos comportamentais que acrescentem mudanças. Não haverá valor em sua capacidade evolutiva que produzam recompensas pessoais, intelectuais e materiais. A palavra mérito não terá valor.

REFLEXÕES ÚTEIS

Quantos médicos teríamos se a profissão não tivesse valor em sua atuação? Teríamos tantos músicos e artistas buscando sucesso caso não houvesse recompensa? Atletas fariam tanta questão de aprimorar e demonstrar suas habilidades pessoais? Agricultores alimentariam milhões de famílias apenas por amarem distribuir suas produções? Será que teríamos tantos influenciadores digitais caso não houvesse nenhuma recompensa? Poucas de muitas questões..

“Quem não é socialista aos 20 anos, não tem coração; quem continua socialista depois dos 40 anos, não tem cérebro.”

Nelson Rodrigues

NOTAS

Doação para Caridade – R$1,00Click here!
Doação para Caridade pelo PayPal – U$1,00Click here!

Nos próximos posts, prestarei contas das doações (caso haja).

Meu livro publicado na Amazon! Me dê essa força e ânimo para continuar transformando conhecimento em conteúdo.
e-Book: https://www.amazon.com.br/dp/B08ND6BZLK
Capa comum: https://www.amazon.com/dp/B08NDR19PW

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s