Terapia De Mercado

“Adquirir sabedoria é um dever moral. Não é algo que se faz só para prosperar financeiramente.”

Charlie Munger

DESINFORMAÇÕES

Causas passageiras, as vezes, se tornam objetivos essenciais. Cada vez mais nos deparamos com mais e mais digital influencers em praticamente todas as áreas das nossas vidas. Problemas no casamento? Siga àquele influencer! Trabalho sufocante? Assista o canal do X. Dificuldade nos estudos? Dicas de moda? Onde comer? Para onde viajar? O que fazer? Como investir? Que ações devo comprar ou vender?

Não posso deixar de mencionar neste caso, uma citação de T. S. Eliot: “Onde está o conhecimento que perdemos na informação?”

Os humanos estão cada vez mais fadados a transferir suas opções de escolhas para possíveis pessoas que, do ponto de vista quantitativo, tenham mais seguidores e portando, são mais “sábios”. Logo, há uma distorção nesta linha tênue entre informação e conhecimento. No livro Essencialismo, de Greg Mckeown, o autor descreve: “quando abandonamos nosso direito de escolher, outros escolhem por nós”.

PARADOXO MENTAL DOS INDIVÍDUOS

Naturalmente, como se fosse por osmose, as tendências individuais estão se tornando sucintamente coletivas. As buscas por informações coerentes e conhecimento aprofundado sobre determinado assunto estão vagando pelo tempo x espaço e lentamente se ofuscando, tornando-se uma penumbra comportamental.

Charlie Munger, vice-presidente do grupo Berkshire Hathaway, disse aos participantes da assembleia anual de acionistas do grupo editorial Daily Journal sobre as volatilidades dos mercados atuais, evidenciando as características mentais e emocionais dos indivíduos que compões os mercados:

“Para mim é mais ou menos o equivalente a induzir um bando de jovens a começar a usar heroína. É realmente estúpido”.

Não vejo problema algum em operar diversos tipos de mercados. Cada indivíduo tem suas próprias facilidades e infinitas maneiras de ganhar dinheiro, até porque lucro nunca deu prejuízo a ninguém. O grande paradoxo é justamente o oposto, no qual o sujeito se autoproclama investidor, Day Trade ou especulador e age de acordo com as escolhas determinadas ou indiretamente influenciadas por terceiros. Uma das maiores falácias constantemente reproduzidas, quase de forma robotizada, é exatamente o termo “isso não é uma recomendação”. O próprio termo já se tornou um gatilho mental, automático, de que aquilo realmente é uma recomendação de forma indireta para tomada de decisão. Apenas mais um contorno psicológico absorvido de maneira sutil para manter o indivíduo cada vez mais dependente das escolhas alheias.

CAUSAS, SINTOMAS, TRATAMENTO E PREVENÇÃO

Todo o comportamento disfuncional, economicamente falando, vem acompanhado de características já conhecidas, podendo ser equiparadas de certa forma com alguma doença cotidiana. Existem sinais psicológicos claros do fluxo comportamental, tanto do indivíduo singular, quanto da grande massa manobrável.

Causas: Notícias sobre a economia, mercado financeiro, políticas [avulsas ou econômicas], rumores de guerras [frias ou comerciais], por exemplo, começam a pipocar constantemente na grande mídia, redes sociais e até círculos sociais. Sejam essas informações positivas ou negativas, é nítida a escalada de tensão sendo inflada e pulverizada de maneira quase maçante.

Caso as notícias sejam positivas, é acionado o gatilho mental de lucros [L] voltado para a riqueza instantânea, o receio em ficar de fora do boom, o vislumbre equivocado dos ganhos estratosféricos e o sentimento [inveja?] de que todos estão ganhando dinheiro fácil.

Porém, o gatilho mental da aversão à perda [P] é acionado muitas vezes com o dobro da intensidade e totalmente oposto ao [L] quando há notícias negativas sendo bombardeada pela mídia geral.

Sintomas: Sutilmente, o indivíduo mais “informado”, principalmente àqueles que atuam diretamente com algum tipo investimento, começam a sentir leves desconfortos mentais. Há um maior engajamento em entender os motivos daquelas notícias que estão sendo ventiladas pelos meios de comunicação. Consequentemente, o desconforto emocional começa a se tornar perturbador de alguma forma, gerando temores mais intensos voltados à perda patrimonial como: nível do prejuízo, expectativa de retorno negativo a curto prazo, sensação de prejuízos ao observar os rendimentos negativos, mal-estar constante por medo da longa espera de um possível lucro.

Tratamento: Sugestões comprovadas, simples e rápidas: desligue-se dos noticiários, não entre no Home Broker, não procure conteúdos incessantes sobre investimentos, crie uma rotina de leitura que, de fato, transmita conhecimento e sabedoria, invista em seu crescimento pessoal – por completo -, estude, conheça o negócio e invista em companhias [não em recomendações ou achismos], faça suas escolhas e não permita seguir a escolha de terceiros.

Compre livros, Coma os livros e viva os livros”.

Prevenção: Crie mecanismos que afastem, inibam e bloqueiam a ansiedade, euforismo, angustia, emoções exacerbadas. Cada indivíduo conhece intrinsecamente sua essência e é adequado realizar um trabalho contínuo visando adquirir autocontrole. Esta sugestão não se resume apenas para investimentos, mas prioritariamente, para a vida.

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