Remando Contra a Maré

“Uma pessoa se sairia melhor se suas ações não tivessem nenhuma cotação de mercado, porque então ela não sofreria o tormento mental causado pelos erros de julgamento prévio de outras pessoas”

Benjamin Graham

O FATOR LEMINGUE

O oposto de boas Companhias que têm quedas acentuadas no curto prazo por simples desesperado da “massa de manobra” – humano que não se prepara psicologicamente -, são aquelas más empresas, financeiramente falando, que se tornam notáveis por conta de uma alta repentina inexplicável. Essas sim, são carregadas de fortes gatilhos mentais que atuam no desejo do falso enriquecimento rápido, dos ganhos astronômicos e como se já não bastasse, a cereja do bolo, vem com uma enxurrada de notícias positivistas mirabolantes com potenciais de lucros incoerentes.

O indivíduo despreparado mergulha de cabeça em suas ambições. O afoito pensamento de lucros rápidos que realizará tantos desejos momentâneos, ultrapassam o bom senso teórico e prático de que não faz sentido algum uma empresa, deficiente e ineficiente, simplesmente se tornar um conceito de excelência da noite para o dia. A precificação do Ativo se projeta com tamanha força para cima, que induz ao sujeito à compra imediata pelo “medo” de ficar para trás, de deixar de ganhar aquele dinheiro gordo e fácil.

O tubarão vem feroz, abocanha todas aquelas sardinhas que estão acompanhando o fluxo. Elas estão contentes pela falsa segurança de estarem com a multidão, se sentem protegidas de alguma forma e imaginam estar no rumo certo.

Um enorme conselho que Ray Dalio entrega de bandeja em suas inúmeras entrevistas: Haja psicologicamente contra os seus instintos humanos mais fortes. Simplesmente relute contra as suas vontades e faça o oposto!

ENRIQUECIMENTO INEFICIENTE, EMPOBRECIMENTO EFICIENTE

A ganância faz o indivíduo pôr em prática o comportamento mais cego possível quando se trata de dinheiro. O mesmo só enxerga a alta extravagante de um curto período de tempo, sem observar o grande abismo ao redor que se encontra aquele ponto específico.

Nota-se nos dois exemplos que houve altas expressivas na casa de 577% e 1382%, respectivamente, porém, logo após o “foguete lançado”, há a lei do retorno – tudo que sobe, desce -. Em Companhias cuja a saúde financeira não contempla o preço do ativo, sempre há uma correção abrupta tendendo à normalidade.

Nos momentos de altas, você verá grande parte da mídia, casas de análises e influenciadores diversos dando grande ênfase nessa anomalia. Alguns irão reportar que essa alavancagem está justificada por alguma excelente notícia da empresa, ou que isso é duradouro e pode ser o momento de pensar em uma compra. A grande realidade é que não há justificativa plausível para tamanho descontrole emocional do indivíduo que faz uma aquisição exatamente neste momento de subida sem analisar o contexto histórico financeiro da empresa. Muito menos dos motivos, quaisquer que sejam, que levaram a este aumento que duraram uma semana.

A falsa sensação do enriquecimento rápido e fácil, em empresas ineficientes, pode levar ao empobrecimento repentino do sujeito que se julga “investidor”. A perda de grande valor do capital é praticamente certa e sem garantia alguma de um retorno, mesmo a longo prazo.

Os motivos da súbita disparada das ações da Kodak estão nítidas nesse trecho retirado do site fool.com:

“Em 29 de julho, Eastman Kodak (NYSE:KODK) anunciou que recebeu um empréstimo de US$ 765 milhões do governo dos EUA sob a Lei de Produção de Defesa para fabricar ingredientes farmacêuticos ativos em medicamentos genéricos como parte de uma resposta mais ampla à pandemia coronavírus. Depois que a notícia eclodiu, os investidores entraram em um frenesi de compra eufórica. No período de um único dia, a ação da Kodak saltou quase 300% e a negociação das ações foi temporariamente interrompida por um tempo. Talvez estranhamente, as ações da Kodak estão agora entre as mais bem-atuantes em qualquer setor de ações, com um ano de retorno de 614% até agora.

Considerando o salto de quebra de ações, os investidores que não compraram o rali podem sentir que perderam, e aqueles que perderam podem achar incrivelmente difícil manter os lucros.”

Já a Hertz? Simplesmente subiram num período de 5 dias sem qualquer motivo aparente. O detalhe significante é que a Companhia declarou falência em 22 de maio de 2020.

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