Desespero Mental

CURTO E LONGO

“O mercado de ações não existe. Ele só está lá como referência para vermos quando alguém está fazendo alguma coisa estúpida.”

Warren Buffett

Começo essa reflexão com uma curta frase de um livro que aprecio muito, no qual diz: Alguns se atribuem o rótulo de “investidores de longo prazo”, mas apenas até a próxima grande queda (ou pequeno ganho), ponto no qual eles rapidamente se tornam investidores de curto prazo e vendem suas ações, com grandes perdas ou com pequenos lucros ocasionais. É muito fácil entrar em pânico nesse negócio volátil sem estudar e trabalhar a psicologia comportamental.

O contraditor fajuto é aquele que acha que indo contra o fluxo de mercado está vendo algo que ninguém ainda viu. O verdadeiro contraditor é justamente o que espera as euforias se assentarem e compra ações, por pechinchas, de boas empresas com as quais todos estão em desespero, mais preocupados com as notícias, ou empresas que ninguém se importa. Afinal, são pacatas demais.

Ao tentarmos “prever o mercado”, a habilidade principal não é dormir, mas roncar. A grande sacada é aprender a não ouvir os instintos impulsivos, mas disciplinar-se a ignorá-los. Mantenha sua tranquilidade nas empresas adquiridas enquanto seus fundamentos financeiros não tiver mudado.

A TÍTULO DE CURIOSIDADE

Nos dois ativos acima, observa-se períodos diferentes com as mesmas características. Nesses exemplos que enxergo exatamente o que Buffett quer dizer na expressão: “Ele só está lá como referência para vermos quando alguém está fazendo alguma coisa estúpida.

Resolvi relatar os fatos ocorridos que geraram tamanho estresse no sistema nervoso dos “pseudos investidores” (especuladores é a melhor expressão) para deixar como exercício.

Empresa 1: Taiwan Semiconductor Manufacturing – TSM
Uma queda abrupta de 27% em apenas dois meses por conta da pandemia Covid-19. Apenas isso! A TSM continuou relatando lucros após lucros em todos os trimestres.

Empresa 2: Novo Nordisk A/S – NVO
Em 2016, mais exatamente nos resultados do terceiro trimestre, a Novo Nordisk informou aos acionistas que a companhia estava sofrendo pressão por parte do governo americano referente aos produtos de insulinas. A tal pressão reduziu as vendas de suas insulinas mais antigas em 1% nos primeiros nove meses do ano.

Pronto, bastou um simples comentário de forma transparente para os “investidores a longo prazo” entrarem em histeria. No período de 8 (oito) meses, as ações caíram 40% por uma ansiedade negativa absurda do mercado.

O mais impressionante é que, no mesmo comentário “negativo” acima, a empresa descreveu inúmeros pontos positivos.

“Embora os resultados em si tenham sido decentes, a administração afirmou que está vendo uma enorme pressão de preços sobre seus produtos de insulina de seguradoras nos EUA, o que está forçando a empresa a dar concessão para permanecer nas fórmulas. Essa pressão reduziu as vendas de suas insulinas mais antigas como NovoLog e NovoLog Mix 70/30 em 1% nos primeiros nove meses do ano. Felizmente, isso foi compensado pela força na droga Victoza, do Novo, e sua próxima geração de insulina Tresiba, que permitiu à empresa registrar um crescimento constante de vendas em moeda de 6% nos primeiros nove meses do ano.”
Fonte da época: Clique aqui!

Exatamente isso que você está lendo! Os balanços foram positivos, a Novo Nordisk continuou batendo recorde de lucros e mesmo assim um comentário, para quesito de informação, deixou Os Caras do mercado apavorados e saíram vendendo tudo. O famoso efeito manada!

CAI NO BOATO, SOBE NO FATO”

Não precisa ser nenhum gênio nas finanças para notar que tem algo de muito estranho nessas quedas bruscas sem motivo aparente. Tanto que após o surto do desespero, o preço das mesmas ações começaram a subir notoriamente ao longo dos meses (primeiro caso) e anos seguintes (segundo caso). Não teria sido mais rentável e menos estressante, para você, leitor, ter tido paciência e resiliência em suportar as maluquices dos outros?

Caso o especulador tivesse trabalhado o comportamento psicológico, com a TSM ele teria uma rentabilidade mínima de 48%, apenas em cotação, no período de 8 (oito) meses, Já com a NVO, a rentabilidade seria, no mínimo, 27% apenas com a cotação – sem contar novos aportes, dividendos/proventos ou desdobramentos -.

PARA REFLETIR

Caso você fosse um comerciante que sempre está lucrando, venderia seu comércio por conta da pandemia? Ou se algum mês específico tivesse um lucro abaixo do desejado? Ou por seu vizinho começar a espalhar notícias que seu comércio estava arcando prejuízos? Mesmo obtendo lucros?

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