AUTOCONTROLE

“Fumantes pagam mais caro pelos seus cigarros ao comprar um maço por vez em vez de um pacote inteiro”

Richard Thaler

FORÇA DE VONTADE?

Provavelmente a falta de autocontrole em tomadas de decisão são o grande problema do ser humano, independente do estudo, da cultura, religião, crenças, do QI, da família, dos problemas vividos, da facilidade ou dificuldade na infância. Não é tratado com a importância necessária, até por que, a grande maioria nem reflete sobre isso. Os únicos que são enxergados, de fato, são os que possuem algum tipo de vício explícito que produzem diretamente um efeito negativo ao redor (viciados, alcoólatras, impulsivos compulsivos em várias áreas).

O homem sempre visa a necessidade momentânea, ou seja, a curto prazo, da satisfação pessoal, daquele prazer imensurável incontrolável da conquista, do sucesso, do vício, da dopamina. As consequências dessas atitudes previsíveis são muito visíveis e palpáveis a longo prazo, pois reflete fortemente no que o indivíduo se torna e também da sua característica básica comportamental.

Um dos principais observadores dessas características humanas foi justamente Adam Smith, muito conhecido pela economia do livre mercado e liberalismo econômico. Smith relata em seu livro Teoria dos Sentimentos Morais sobre o autocontrole, retratando o conflito de interesses pessoais entre “paixão e racionalidade”.

Entre outros economistas que descreveram profundamente sobre as cartadas do autocontrole em nossas vidas, temos George Lowenstein e William Stanley Jevons. O primeiro descrevia sobre o conceito da “força de vontade”, uma expressão que não tinha significado na economia teórica, mas é claramente enxergada na economia prática de qualquer indivíduo consumista. Já o segundo, Stanley, observou muito bem a perspectiva do autocontrole na questão do tempo. Relata-se: Podemos dar muita importância em tomar aquela taça de sorvete agora em vez de amanhã.

“Nossa capacidade telescopia é defeituosa, e nós, portando, vemos prazeres futuros em escala reduzida.”

Arthus Pigou, 1920

A ideia básica é que o consumo vale mais para você agora do que mais tarde. Não tem nenhuma mentira nessa frase. Nós somos imediatistas por natureza e desenvolvemos essa péssima característica ao longo dos anos – principalmente pela falta de educação financeira adequada.

TEORIA DO CICLO DE VIDA

Suponha-se que uma família, com uma renda mensal fixa, utiliza exatamente esse valor para arcar com os custos mensais. Logo, caso essa família receba um incremento esporádico em sua renda, automaticamente este valor se incorpora ao seu orçamento dando a falsa visão de que àquele valor era extremamente necessário (levando também a um gasto extra).

O breve relato acima nos leva a crer que nossos vícios psicológicos e comportamentais estão atrelados sempre a um gasto futuro do que ainda nem recebemos. E mesmo quando, por algum motivo qualquer, recebemos algo que não esperávamos, fazemos questão de justificar o gasto daquele valor como se já estivéssemos com alguma necessidade urgente.

Ao observarmos este tipo de comportamento de maneira externa e abrangente, notamos o quanto praticamos exatamente neste contexto os mesmos procedimentos em tantos outros indivíduos que nos rodeiam. A hipótese do ciclo de vida, criado por Modigliani, na qual pessoas decidem quanto da riqueza do seu tempo total de vida vão consumir em cada período, demonstra que o autocontrole de uma pessoa deve estabelecer metas racionais para contabilizar os gastos e implementar (elaborar) um plano ideal baseado na expectativa da vida individual em uma sociedade vivente.

Essa teoria é lastreada principalmente pelo conceito da “poupança”, no qual a pessoa adere este tipo de plano pensando em reservas de emergências e aposentadoria a longo prazo. Isso demonstra que o conceito de poupança ainda é reconhecido largamente entre as pessoas, e o próprio nome já insere abruptamente o sentido de autocontrole no psicológico humano e também a importância em adquirir maturidade financeira para uma riqueza futura.

Portanto, carrego essa perspectiva do autocontrole de forma mais abrangente, principalmente na questão da “riqueza fungível” (essa riqueza é aquela que se consome após o uso). Naturalmente, em nosso dia a dia, temos vários exemplos de tipos dessas riquezas fungíveis. Destaco fortemente como os Passivos que nos absorvem grande capacidade monetária e sem nenhum retorno a longo prazo.

Já no mercado financeiro, destacando o mercado de renda variável, é de suma importância praticar um exercício mais aprofundado e complexo das suas fraquezas relacionadas a falta de autocontrole mental, pois é a forma mais fácil e rápida de perda patrimonial. Leva-se em consideração que o efeito tempo é o principal atributo para acúmulo de patrimônio e de rentabilidade de um investidor centrado em seus objetivos, embutindo o conceito de poupança em investimentos variáveis, superando à princípio, as fortes negativas em seus rendimentos.

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