Ouro, Gold, Oro

“A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das instituições.” Como já disse o mestre Rui Barbosa em apenas uma de suas famosas reflexões.

Podemos fazer uma releitura da mesma frase, substituindo a última palavra “instituições” por “patrimônio”; trazendo para a nossa realidade, como investidor em capitais seguros, sempre em busca de sabedoria para melhor entendermos os mercados.

Do latim aurum, “brilhante”.

“O ouro é testado pelo fogo.

Os bravos pela aflição.“

Lucio Anneo Seneca -4 – 65 a.C.

Como a própria citação do nobre Anneo Seneca nos revela, 65 a.C, o ouro é forjado e testado sob fogo. Isso nos remete a capacidade deste elemento químico, tão difícil de ser extraído da natureza, em ser a matéria de maior valor monetário em tempos de crises, principalmente quando envolve uma alta probabilidade de desgaste político-econômico a nível internacional, envolvendo diretamente o temor dos investidores. Será apresentado um olhar clínico e abrangente destes cenários, permitindo a capacidade hábil em interpretar o fluxo dos investimentos em busca da segurança patrimonial.

Interpretando o gráfico, claramente nos é apresentado os times de alavancagem do ouro – commodities -.

GATILHOS

1. O fatídico mês de Setembro de 2001, alguém se recorda da tragédia desta data? Nota-se que a cotação do ouro sempre caminhou com certa estabilidade até o point 1, apesar da leve volatilidade no período da Guerra Fria até a dissolução da URSS, em 1991. Isso porque o mundo, de modo geral, não passava por tantas incertezas políticas, econômicas e rumores de guerras que afetassem drasticamente as principais economias mundiais de forma abrupta. Porém, em 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos sofreu uma das piores tragédias em solo americano, literalmente. O ataque terrorista às torres gêmeas desencadearam fortíssimas preocupações, por parte dos investidores, em relação ao futuro incerto que aquilo provocaria em questões políticas, econômicas e conflitos bélicos envolvendo os americanos.

Realmente, as consequências tiveram proporções maiores do que o esperado. USA, liderados pelo então presidente George W. Bush, lançou um movimento militar denominado “Guerra ao Terrorismo” com apoio de seus aliados e ocuparam militarmente o Afeganistão e Iraque. Iniciou-se a partir daquele período diversas tensões globais ao longo dos anos subsequentes, envolvendo não só os países do Oriente Médio, mas também causou animosidades em outras grandes nações que, de certa forma, se aproveitaram do ambiente propício ao caos político-socioeconômico e também cultural – em vários aspectos -.

Investidores temerosos, buscando segurança e qualidade, pessimistas de carteirinha em inúmeras situações, receosos com a volatilidade inflacionária e desvalorização das moedas, correm como loucos para adquirir ouro, elevando os preços dos dourados em uma crescente constante.

2. Ao nos depararmos com tais fatos citados, os investidores nem tiveram tempo para respirar tranquilamente. Menos de sete anos após o ataque terrorista, guerras e conflitos diversos ao redor do globo, estoura a famosa bolha do subprime, nos Estados Unidos, em 2008.

Para os leitores que gostam de se aprofundar nas crises: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/crise-do-subprime/

De forma breve, a maior crise imobiliária americana causou uma forte sensação de ameaça referente à profundidade da bolha, veracidade dos fatos e credibilidade dos dados econômicos divulgados. Além das notícias negativas que impactavam corriqueiramente os mercados, o pico das incertezas foi determinado pela quebra de um dos bancos de investimentos mais conceituados da América, o Lehman Brothers. Mais uma vez, o ouro foi elevado à cotações jamais imagináveis levando em conta os medos excessivos, por parte dos investidores.

3. Finalmente a bonança! Mar calmo, ventos leves e clima ameno.

O governo de Barack Obama, apesar de controverso em alguns pontos, trouxe certa calmaria ao mercados mundiais mesmo tendo enfrentado, até então a crise do subprime. Adotou-se uma postura mais diplomática e pragmática perante outras nações, esfriando as tensões bélicas e conflitos sociais. Os investidores, em grande parte, reduziram a crescente corrida pelo ouro que havia se tornado incansável desde 2001 e passaram a confiar na estabilidade global que estava se instaurando, aparentemente, até 2018 já com dois anos do governo de Donald Trump em andamento.

4. A “Guerra Comercial USA vs China” tomou conta de vez do cenário da macroeconomia mundial, ocasionando a segunda fuga em massa para a compra do aurum reluzente – ouro -.

Segue o link para apreciação mais detalhada: Guerra Comercial – USA vs China

As políticas protecionistas elevaram as tensões entre as duas gigantes potências mundiais, adotando sobretaxas sobre as importações de produtos e commodities nos principais setores (industrial, tecnológico, agrícola). Além disso, as Coreias Norte-Sul aqueciam as tensões bélicas se ameaçando frequentemente com práticas nada diplomáticas, envolvendo inclusive, países próximos, aliados ou avulsos (USA, China, Rússia e Japão, por exemplo).

Enfim, mercados apreensivos. Gold more Gold.

5. Neste exato momento estamos sofrendo na pele. Pandemia mundial! Preciso dizer algo mais? A essa altura, amigo leitor, o senhor (a) já conseguiu sacar a jogada dos investimentos em ouro, as ocasiões macroeconômicas e políticas que determinam seu fluxo e a importância que o mesmo pode ter em sua carteira.




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