Desmistificando o Dólar

Uma maneira simplificada e perceptiva de entender esse fluxo. Segue o fio.

INTRODUÇÃO

Todos os dias, após fechamento dos mercados, me deparo com os artigos pré-montados: “Dólar cai pela quarta semana seguida” ou “Dólar sobe há três semanas e bate record”.
A análise da variação cambial U$/R$ é sempre um tiro no escuro e não precisa ter vergonha de admitir isso, mas há alguns dados que nos indicam uma possível movimentação futura deste câmbio. Porém, eu particularmente, tenho uma maior aptidão voltada para os velhos conceitos da macroeconomia – sim, aquelas milhares de informações que a grande mídia despeja em nós todos os dias -, mas não pensem que me sujeito ficar 24 horas/dia procurando as intrigas e fofocas políticas dessa gentalha.

EXPECTATIVA vs REALIDADE

“it’s fugazi”

The Wolf of Wall Street

Analisando o histórico da cotação do dólar juntamente com as perspectivas dos investimentos governamental, políticas públicas e ajustes fiscais, na minha humildíssima opinião, não vejo motivo algum para essas verdinhas caírem abaixo dos U$ 4,50, pelo menos por um longo tempo. Vamos ao gráfico.

A diferença cambial sempre existiu, em alguns momentos melhores, outros piores. O que enxergo friamente, sem cunho político, é apenas com a visão de um investidor estrangeiro que aporta seus recursos em um país emergente, de forma clara e objetiva: A estabilidade política e econômica são os principais fatores para o decréscimo do Dólar perante ao Real. Observa-se que o Dólar vinha em uma crescente forte até Novembro de 2002, sob um grande temor das eleições presidenciais que trouxeram muito receio, na ótica deste investidor, para as políticas públicas de cunho socialista popular.

Após as eleições, o Brasil passou por inúmeras injeções de subsídios, aumento progressivo da taxa Selic (juros do Banco Central), investimentos diversificados e alavancagem fiscal baseado em programas sociais – preferia dar o peixe, do que ensinar a pescar -. Tudo tem o pós e o contra, correto? Portando, o pós, naqueles tempos, fez com que aqueles investidores visassem os subsídios, investimentos e com a taxa Selic Selic subindo a colina, começaram a ver o nosso país como uma boa oportunidade para se ganhar dinheiro. Notem que, o objetivo dos investidores estrangeiros (assim como o nosso), sempre segue o fluxo do dinheiro, que até então, acreditavam em uma guinada econômica do nosso querido Brasil.

As consequências que pareciam positivas, com o passar dos anos, foram tomando proporções catastróficas devido aos escândalos políticos e farras fiscais sendo descobertas. O resto dessa “história” não preciso relatar aqui, até por que, todos que acompanham os periódicos sabem que após o ano de 2011, o Brasil começou a vivenciar uma crise sem precedentes nos meios políticos e socioeconômicos.

Observem no gráfico acima exatamente o contexto histórico com a volatilidade cambial, tendo um leve acréscimo com a crise do subprime em 2008/2009 e iniciando sua gloriosa subida até o pico, no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Havendo uma leve queda e estabilizada no governo Temer, onde não houve tantos imbróglios políticos.

O investidor estrangeiro, aquele que trás grandes montantes de dólar – já relatado anteriormente de maneira sucinta e clara – simplesmente começou a perceber o tamanho das divergências culturais, sociais, políticas e econômicas mais enraizadas em que este nosso país se encontra, a partir das polêmicas eleições de 2018. E por grande ironia do destino, vindo acompanhada de uma pandemia mundial “apocalíptica” sem data para acabar, e mergulhando de vez o Brasil em um déficit fiscal atual de R$ 708,7 bilhões (9,9% do PIB).

Ninguém consegue prever o futuro, óbvio, mas quando observamos o contexto que nos encontramos e por onde já passamos, conseguimos ter uma relapso de vidência, ou sabedoria, como gosto de me expressar.

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